Luísa Panico fez seu mestrado na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, na área de Administração Pública e Governo. Em sua pesquisa, identificou os fatores de sucesso para que políticas educacionais fossem implementadas e tivessem continuidade em duas redes estaduais. O foco do estudo foi a seleção por competências de diretores escolares e tem como título “Sucesso e permanência de reformas educacionais: seleção de diretores escolares no Rio de Janeiro e Espírito Santo”. Ela comparou o que foi necessário para que as políticas fossem implementadas e quais as peculiaridades para sua continuidade (caso da experiência capixaba) e descontinuidade (na rede fluminense).

Entre as tantas leituras recomendadas por seu orientador, o pesquisador Fernando Abrucio, ela leu o livro “Políticas Educacionais no Brasil: o que podemos aprender com casos reais de implementação?”. Após fazer download da publicação na íntegra pelo site, leu os casos dos municípios do Rio de Janeiro e de Sobral, e estudou capítulos que esmiúçam outros aspectos teóricos e reflexivos das políticas públicas.

Embora a política de seleção dos diretores não seja alvo do material, Panico considerou a leitura relevante por ter informações sobre implementação de reformas educacionais apresentadas em um formato ágil, objetivo e claro. “De modo geral, o que lemos na pós-graduação é denso e complexo. O ‘Políticas Educacionais’ é gostoso de ler e traz as dificuldades reais vividas no dia a dia de governos, o que é um conteúdo dificilmente encontrado em outras publicações”, afirma. “Além disso, foi importante notar os aspectos que os autores observaram para analisar os casos, como o capital político dos governantes e a comunicação com diferentes atores. Esses e outros elementos foram relevantes na minha comparação do trabalho feito nos estados.”

Ela diz que muitas pesquisas tendem a enquadrar casos práticos em teorias específicas, o que por vezes deixa passar detalhes importantes das situações reais. “Para a academia e a sociedade, é essencial entender quais são as dificuldades enfrentadas na implementação de políticas públicas no Brasil. Afinal, temos muitos exemplos de boas práticas, mas reproduzi-los envolve superar desafios importantes, que serão tão mais fáceis de vencer quanto mais forem conhecidos. Compreender o percurso de outras experiências só pode colaborar com as próximas iniciativas”, conclui.